quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Sessão 2 - Tarefa 1


“A Literacia da Informação na Escola do século XXI: Como trabalhar com a Biblioteca Escolar”

 

Tarefa 1 - Reflexão sobre o papel da Biblioteca e do professor bibliotecário, identificando três áreas de intervenção que considere mais relevantes

1. Tendo em conta os desafios da era digital e os novos ambientes de aprendizagem que caracterizam o início deste milénio, faça uma breve reflexão sobre o papel da biblioteca e do professor bibliotecário, identificando três áreas de intervenção que considere mais relevantes.

 

Considerando, em termo legais, que:

 

Nota introdutória da Portaria n.º 756/2009 de 14 de julho:

“Trata-se de garantir que a biblioteca escolar se assume, no novo modelo organizacional das escolas, como estrutura inovadora, funcionando dentro e para fora da escola, capaz de acompanhar e impulsionar as mudanças nas práticas educativas, necessárias para proporcionar o acesso à informação e ao conhecimento e o seu uso, exigidos pelas sociedades atuais.”

 

Alínea f) do art.º 3.º - Conteúdo Funcional - da Portaria n.º 756/2009 de 14 de julho.

 “Apoiar as atividades curriculares e favorecer o desenvolvimento dos hábitos e competências de leitura, da literacia da informação e das competências digitais, trabalhando colaborativamente com todas as estruturas do agrupamento ou escola não agrupada”.

 

e após a leitura dos textos propostos para esta tarefa, podemos fazer a seguinte análise:

As crianças e jovens estão dotados de um Know how, de uma perceção instintiva, de uma aptidão e familiaridade no uso das tecnologias da comunicação e informação, que os colocam acima de qualquer dificuldade ou necessidade de intervenção pedagógica. No entanto, a investigação tem vindo a colocar uma série de reservas sobre estas qualidades, nomeadamente no que diz respeito ao exercício de competências de informação, do pensamento crítico e de atitudes responsáveis, com implicações importantes na aprendizagem e sucesso educativo.

Os alunos precisam de ser ensinados sobre a forma como podem utilizar essas ferramentas na aprendizagem e exercício do pensamento crítico e construção do conhecimento, capacidade de análise, adotando um comportamento cívico transformando-os em cidadãos interventivos com sucesso, quer em termos escolares quer em termos pessoais.

O desenvolvimento da sociedade da informação não acontece por haver magníficas coleções, ambientes físicos inspiradores ou redes avançadas de tecnologia de informação. Apesar de serem elementos importantes, a tarefa mais complexa, desafiadora e compensadora de um educador é transformar a informação em conhecimento. Todd afirma a este propósito: “Information is not power. It is human understanding and knowledge that is power, and information is how you get it.”. A informação é apenas um meio para atingir os objetivos a que a escola se deve propor: a formação de cidadãos autónomos enquanto construtores do seu próprio conhecimento, e responsáveis, críticos e éticos enquanto utilizadores e produtores de informação. Atualmente, espera-se que a escola forme cidadãos ativos, interventivos e críticos, mas também responsáveis e autónomos. A escola deve possibilitar a construção autónoma de saberes e igualmente lançar as sementes para a aprendizagem ao longo da vida. A aprendizagem em ambiente escolar não deve permanecer confinada às quatro paredes da sala de aula. Deve, pelo contrário, ocorrer nos vários espaços da escola, da comunidade e do ciberespaço.

A Biblioteca tem aqui um papel fundamental enquanto espaço que detém os recursos necessários para o desenvolvimento destas competências transversais ao currículo – soft skills. Para tornar eficaz a consecução destas metas finais é necessária uma forte articulação entre professores das diferentes disciplinas, o Professor bibliotecário e a equipa da Biblioteca no desenvolvimento de atividades que, indo de encontro às necessidades curriculares, se complementem com a formação tecnológica e digital dos dias de hoje.

O surgir do documento com as metas curriculares apenas exigindo as hard skills, transpondo para um currículo oculto as soft skills pode à partida trazer aquilo que a mim me parece uma falsa preocupação. Isto não tem volta. A era digital está aí e vai continuar. A literacia da informação está inerente a qualquer currículo e ela vai-se processando ao longo da escolaridade dos alunos, quer seja ao nível da leitura, quer ao nível científico, matemático da informação, dos média, etc. e aqui têm muita importância, quer os professores das disciplinas, quer o professor bibliotecário, os encarregados de educação. No entanto, concordo com o facto de, se existir um referencial com obrigatoriedade de cumprimento por parte dos currículos de cada uma das disciplinas, a nível nacional, com recurso às bibliotecas escolares e ao conhecimento dos professores bibliotecários, fica mais garantida a aquisição desses saberes.

As três áreas de intervenção da BE: literacia da leitura, literacia dos média e literacia da informação parecem-me adequadas à aprendizagem no contexto da sociedade do conhecimento.

A literacia da leitura inclui o uso, reflexão e compreensão de textos multimodais, impressos ou digitais e o domínio de diferentes formas de expressão: oral, escrita e multimédia.

A literacia dos media visa formar para a análise crítica e compreensão da natureza dos diferentes média.

A área da literacia da informação visa dotar os alunos de conhecimentos que os capacitem para a pesquisa, acesso, avaliação produção e uso ético da informação.

Seria importante definir quais as aprendizagens a desenvolver pelos alunos de cada nível de ensino relacionadas com estas literacias. Assim, ficaria melhor definida a ação da BE na escola.

Hoje em dia, as salas de aula e as bibliotecas escolares já bem apetrechadas com equipamento tecnológico para poderem desenvolver nos alunos muitas competências no âmbito das literacias. É necessário sim uma constante atualização do corpo docente relativamente ao mundo digital em constante mudança e formações no âmbito desta ação de formação.
                                                                                                                  Helena Magalhães

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